Quando o assunto é sustentabilidade no setor alimentício, os números da Grano Alimentos chamam atenção: 96% dos resíduos gerados em suas operações foram reaproveitados ou reciclados em 2025.
O dado está no relatório de sustentabilidade divulgado em primeira mão à EXAME e não é fruto de uma iniciativa isolada e sim de uma estratégia que combina gestão de resíduos, treinamento de colaboradores e uma cadeia de fornecedores alinhada a critérios socioambientais rigorosos.
Fundada há mais de duas décadas na Serra Gaúcha, a companhia se consolidou como uma das líderes no mercado brasileiro de vegetais congelados, com cerca de 40% de participação no setor.
“Ser sustentável é ser eficiente”, destaca o CEO da companhia, Fernando Giansante, ao explicar que a agenda ESG não é paralela e sim orienta todas decisões estratégicas do negócio.
Sob sua gestão desde 2018, a empresa avançou na diversificação do portfólio, com aquisições como a da Gerônimo, voltada ao segmento plant-based.
Hoje, entre seus produtos líderes estão o brócolis, couve-flor, ervilha e mix de legumes, categorias que acompanham a crescente demanda por alimentação saudável e acessível.
Na prática, o que sobra da fábrica não vai para o lixo. Resíduos orgânicos do processamento de vegetais são enviados para compostagem e retornam ao campo como adubo. Papéis e plásticos são reciclados, óleos passam por rerrefino, e componentes de lâmpadas e eletrônicos são recuperados.
No fim do dia, uma parcela mínima segue para aterros industriais licenciados, em conformidade com a legislação.
Mas a estratégia vai além dos muros da fábrica. A Grano homologa fornecedores que priorizem tecnologias de reciclagem e reaproveitamento, opera com logística reversa de embalagens finais e mensura cada etapa do processo.
O objetivo é transformar resíduos em matéria-prima, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.
“Crescer, para nós, significa gerar valor compartilhado: para o meio ambiente, sociedade e toda cadeia”, defende o CEO.
Esse movimento acompanha uma tendência global. O mercado de alimentos congelados, estimado em centenas de bilhões de dólares, segue em expansão impulsionado pela busca por conveniência e alimentação saudável. Nesta corrida, surge um interesse maior por empresas que combinam escala e práticas sustentáveis.
Agricultura familiar no centro do negócio
O impacto social também tem peso no relatório. Em 2025, a Grano destinou R$ 24,3 milhões à agricultura familiar e mantém mais de 100 produtores integrados à sua cadeia produtiva.
Mais de 40% desses produtores têm relação com a empresa há mais de cinco anos, um indicador que reflete não só fidelidade comercial, mas a consistência de um modelo baseado em parceria de longo prazo.
Por meio do programa Cultivando Parcerias, a companhia atua em três frentes junto aos produtores: assessoria técnica especializada, suporte administrativo e capacitação em boas práticas ESG.
“Acreditamos que nosso papel vai além da produção de alimentos. Quando promovemos capacitação, inclusão e troca de conhecimento, fortalecemos não só o campo, mas toda a comunidade ao nosso redor”, afirma Michele Lopes, diretora de Sustentabilidade da Grano.
O impacto já é visível: 105 instituições foram beneficiadas por iniciativas sociais da empresa, beneficiando mais de 52 mil pessoas, com doação de 13,5 toneladas de vegetais congelados e o equivalente a mais de 33 mil porções.
A companhia também prevê investimentos superiores a R$ 40 milhões até 2026 para fomentar a agricultura familiar, com recursos atrelados à emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de caráter social.
Descarbonização da indústria
Segundo o CEO, a agenda ESG da Grano está incorporada à sua estratégia de crescimento, com governança estruturada, metas monitoradas e reporte alinhado a padrões internacionais como GRI e ODS.
Em 2025, a companhia também reduziu em 6,58% as emissões de gases de efeito estufa nos escopos 1 e 2, em linha com um plano de descarbonização que prevê reduções graduais até 2033.
Em gestão hídrica, criou um comitê dedicado ao tema e estabeleceu meta de reduzir em 5% o consumo de água potável até 2030.
O desafio, segundo o CEO, não é só interno, mas sim de toda cadeia. “Existe um desafio importante de atuar como agente de desenvolvimento, apoiando e engajando parceiros ao longo de toda a jornada, especialmente no universo agrícola”, ressalta.
É nesse contexto que a Grano estrutura sua expansão aliando aumento de eficiência e impacto positivo na cadeia de valor. “Não queremos perder de vista o que nos trouxe até aqui”, diz Fernando.


